Tempo de tela, sedentarismo e sonolência diurna em estudantes de medicina: análise transversal – dados preliminares.
DOI:
https://doi.org/10.61661/congresso.cbmev.8.2025.186Palavras-chave:
Sonolência diurna, Tempo de tela, Sedentarismo, Estudantes de medicina, Exercício físicoResumo
Introdução: A sonolência diurna excessiva (SDE) em estudantes pode relacionar-se a comportamentos sedentários e ao tempo de tela. Investigamos associações entre tempo de tela, tempo sentado e sonolência, e se a prática de exercícios pode moderar essas relações. Métodos: Estudo transversal com 162 estudantes. Desfechos: escore contínuo da Escala de Epworth (ESE) e score ≥ 10 (SDE constatada). Exposições: tempo médio de tela (dados retirados do smartphone dos participantes, convertido para h/dia) e tempo sentado por dia (SED-GIH; categorias transformadas em ponto médio em h/dia). Variável moderadora: se pratica exercício (Sim/Não). Análises: correlações (Pearson/Spearman), regressão linear (ESE contínuo) e logística, além de interação Exercício×Tela. Testes de não linearidade com splines. Resultados: Médias±DP: ESE 9,22±4,20; tela 6,63±2,23 h/d; sentado 8,26±2,67 h/d. SDE em 43,8%. Correlações bivariadas foram fracas e não significativas (p.ex., tela×ESE: r = 0,106; p = 0,180). Na regressão linear simples, tela: β = 0,211 (IC95% [−0,082; 0,503]; p = 0,156); sentado: β = −0,171 [−0,415; 0,074]; p = 0,169; R²aj = 0,011. Na logística para SDE, tela: OR = 1,158 [1,001; 1,360]; p ≈ 0,057; sentado: OR = 0,872 [0,767; 0,984]; p = 0,029. Com interação Exercício×Tela (linear), entre não praticantes cada +1 h/dia de tela associou-se a +1,281 pontos na ESE (IC95% [0,354; 2,208]; p = 0,007), enquanto a interação foi −1,191 [−2,166; −0,216]; p = 0,017, indicando atenuação do efeito da tela em praticantes (inclinação ≈ 0,09). Conclusões: Observou-se associação modesta entre maior tempo de tela e maior sonolência, especialmente no ESE contínuo e entre não praticantes de exercício; a prática de exercícios atenuou a inclinação da curva sobre t-tela–ESE. Para SDE (dicotômica), os achados foram coerentes, porém não conclusivos. O tempo sentado mostrou resultados instáveis. Devido ao delineamento transversal, as interpretações restringem-se à associação, não causalidade. Amostras maiores, ajuste para confundidores e mensuração objetiva dos comportamentos poderão refinar essas estimativas futuramente.
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