Médicos atletas: um ecossistema para o florescimento da classe médica.

Autores

DOI:

https://doi.org/10.61661/congresso.cbmev.8.2025.189

Palavras-chave:

florescimento, médicos, atividade física, classe médica, burnout

Resumo

Introdução:

O burnout afeta cerca de 50–60% dos médicos brasileiros, configurando crise de saúde pública (Kertzman et al., 2021). Estratégias isoladas têm efeito limitado. O conceito de florescimento, descrito por Seligman e operacionalizado no Global Flourishing Study, integra emoções positivas, engajamento, relacionamentos, sentido e conquistas (PERMA). A atividade física (AF) desponta como eixo estratégico, promovendo saúde, propósito e pertencimento profissional.

Objetivo:

Analisar evidências sobre o impacto da AF na prevenção do burnout e na promoção do florescimento em médicos, discutindo o Movimento Médicos Atletas como estudo de caso.

Metodologia:

Revisão integrativa (2010–2024) em PubMed, Scielo e Web of Science, incluindo estudos sobre AF e burnout em médicos. Foram selecionados artigos com instrumentos validados (MBI, CBI, PFI). A síntese narrativa foi complementada pela análise do Movimento Médicos Atletas como estudo de caso conceitual.

Resultados:

Os estudos revisados mostram uma relação inversa: quanto maior a prática de atividade física, menores os níveis de burnout entre médicos. Revisões sistemáticas apontam correlações pequenas a moderadas entre prática regular de exercícios e menores níveis de exaustão emocional, com evidências de tendência dose–resposta quando a atividade ocorre ≥3–4 vezes por semana (Taylor et al., 2022; Chirico & Magnavita, 2022). A prática de atividade física também se relaciona a melhor qualidade de vida e maior preservação da saúde mental. Modelos que integram exercício a componentes comunitários, filantrópicos e de mentoria, como o Medicine in Motion, apresentam maior adesão e engajamento (Seward et al., 2020). O Movimento Médicos Atletas, desenvolvido no Brasil, reflete essas evidências ao estruturar práticas coletivas de exercício vinculadas a ações sociais e redes de apoio entre médicos, reforçando o papel da comunidade como catalisador de florescimento profissional.

Conclusões:

A integração de atividade física regular e comunitária na rotina médica mostra-se estratégia promissora para reduzir burnout e fortalecer resiliência, alinhada ao modelo PERMA e aos achados do Global Flourishing Study (VanderWeele et al., 2024). O Movimento Médicos Atletas exemplifica essa proposta inovadora ao unir exercício, propósito e comunidade, configurando um caminho viável para o florescimento da classe médica. Programas que combinem exercício físico, apoio entre pares e propósito social podem ser incorporados por instituições de saúde e ensino como parte do cuidado integral dos profissionais médicos. Sabendo que o movimento é fonte de florescimento, imagine as possibilidades que se abrem quando a nossa comunidade estende um convite genuíno para enfrentarmos esse desafio em conjunto.

Biografia do Autor

Michelly Wada Monteiro, Movimento Médicos Atletas

- Médica pela UERJ - CRM 86208-8
- Anestesiologia pelo HNMD (Marinha do Brasil) - RQE 31342
- Fundadora do Movimento Médicos Atletas
- Conselheira do Jornal do Médico
- Diretoria do Exercise is Medicine Brazil
- Membro da SAERJ/SBA
- Membro CBMEV

Letícia dos Santos Porto Gonçalves

Médica de Família e Coaching de Saúde e Estilo de Vida com formação em Nutrologia pela ABRAN desde 2011 , formação em Medicina do Estilo de Vida e Psicologia Positiva pela MEV Brasil. Diretora Cientifica do Movimento Médicos Atletas Co-autora Capítulo Alimentação do Livro Cardiologia do Estilo de Vida.

Karoline Gomes Merati

Médica gastroenterologista, graduada pela UniFOA – Volta Redonda (RJ) Especialista em astroenterologia pela Beneficência Portuguesa de São Paulo e titulada pela FBG. Integra a diretoria do Movimento Médicos Atletas, voltado à promoção de saúde e qualidade de vida entre profissionais e comunidade.

Raiane Fonseca Silva Herdi

Médica cardiologista e ecocardiografista, com atuação em medicina do estilo de vida. Graduou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ – Campus Macaé). Concluiu residência médica em Clínica Médica pela SEMUSA Macaé e residência em Cardiologia pelo Instituto Nacional de Cardiologia (INC). Possui especialização em Ecocardiografia pelo Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro (IECAC – RJ) e formação em Competências Clínicas em Medicina do Estilo de Vida pela MEV Brasil. Atua na assistência integral ao paciente cardiovascular, aliando diagnóstico preciso e estratégias baseadas em mudanças sustentáveis de estilo de vida Integra a diretoria do Movimento Médicos Atletas, voltado à promoção de saúde e qualidade de vida entre profissionais da saúde e comunidade.

Juliana da Silva Pereira

Graduação pela Escola Paulista de Medicina, Nutrologia pela ABRAN, Certificada pelo American College of Life Style Medicine e CBMEv em Medicina do Estilo de Vida. Integra a diretoria do Movimento Médicos Atletas, voltado à promoção de saúde e qualidade de vida entre profissionais da saúde e comunidade.

Alessandra Freitas Russo

Alessandra Freitas Russo CRM-SP 95220 / RQE 523861 Neurologista da infância e adolescência  Pós-graduação em psiquiatria e em análise do comportamento - Especialista em Medicina do Estilo de Vida  Sócia fundadora da clínica Vivere.

Fábio Cardoso de Carvalho

Cardiologia clínica e intervencionista. Professor assistente doutor em Cardiologia - Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP. Membro da Sociedade de Cardiologia do Estado de SP e da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Membro titular da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista Responsável técnico pelo Setor de Hemodinâmica do Hospital das Clínicas da UNESP e do Hospital UNIMED Botucatu.

Referências

SELIGMAN, M. E. P. Florescer: uma nova compreensão visionária da felicidade e do bem-estar. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.

VANDERWEELE, T. J.; JOHNSON, B. R. et al. Global Flourishing Study: study profile and initial results on flourishing. Nat Ment Health, v. 2, p. 210–22, 2024. DOI: https://doi.org/10.21203/rs.3.rs-5312412/v1

KERTZMAN, P. F.; FERREIRA, V. B.; RUSSO, A. F.; MONTEIRO, M. W. Análise sobre a prática de atividades físicas realizada por médicos brasileiros e o impacto do isolamento social durante a pandemia causada pela COVID-19. Diagn Tratamento, v. 26, n. 3, p. 118–124, 2021.

TAYLOR, C. et al. Physical activity, burnout and quality of life in medical students: a systematic review. Med Educ Online, v. 27, n. 1, p. 206–15, 2022.

CHIRICO, F.; MAGNAVITA, N. The role of physical activity in preventing and managing burnout: a systematic review. J Health Soc Sci, v. 7, n. 1, p. 9–24, 2022.

SEWARD, M. W.; MARSO, C. C.; SOLED, D. R.; BRIGGS, L. G. Medicine in Motion: addressing physician burnout through fitness, philanthropy, and interdisciplinary community building. Am J Lifestyle Med, v. 16, n. 4, p. 462–468, 2020. DOI: https://doi.org/10.1177/1559827620983782

BRIGGS, L. G.; RIEW, G. J.; SEWARD, M. W. Combatting burnout by maximizing medical student participation in exercise events. Am J Lifestyle Med, v. 16, n. 6, p. 779–784, 2022. DOI: https://doi.org/10.1177/15598276211042821

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Publicado

2025-10-25

Como Citar

1.
Monteiro MW, Gonçalves L dos SP, Merati KG, Herdi RFS, Pereira J da S, Russo AF, et al. Médicos atletas: um ecossistema para o florescimento da classe médica. Congresso Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida [Internet]. 25º de outubro de 2025 [citado 30º de maio de 2026];8. Disponível em: https://publicacoes.cbmev.org.br/cbmev/article/view/189

Edição

Seção

Autocuidado dos Profissionais da Saúde