Perfil metabólico e hábitos de vida de pacientes portadores de doenças inflamatórias intestinais
DOI:
https://doi.org/10.61661/congresso.cbmev.8.2025.211Palavras-chave:
Medicina do Estilo de Vida, Exercício Físico, Obesidade, Doenças Inflamatórias IntestinaisResumo
Introdução: As Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) são condições crônicas caracterizadas por fases de atividade e remissão, com impacto na função intestinal e na resposta inflamatória. Alterações no estado nutricional influenciam na evolução clínica e na qualidade de vida. Medidas antropométricas, como Índice de Massa Corporal (IMC) e Circunferência de Cintura (CC), marcador sensível da gordura visceral pró-inflamatória, permitem avaliar o perfil metabólico. Objetivo: Avaliar o perfil metabólico e os hábitos de vida em pacientes com DII, destacando desafios na intervenção em Medicina Estilo de Vida (MEV). Metodologia: Estudo transversal descritivo realizado entre setembro/2024 e julho/2025 no ambulatório de hospital filantrópico de Vitória, com análise de prontuários. Foram incluídos pacientes ≥18 anos com diagnóstico confirmado de Doença de Crohn (DC), Retocolite Ulcerativa (RCU) e colite não classificada (CNC) e excluídos, aqueles em uso de medicamentos para emagrecimento ou com cirurgia bariátrica prévia. Resultados: Foram avaliados 77 pacientes (42 DC, 23 RCU e 12 CNC), com idade média de 45,9 anos, sendo 57,1% de sexo feminino (SF) e IMC médio de 26,8 kg/m² (44,2% sobrepeso e 23,4% obesos, com maior prevalência no SF e na RCU). Em mulheres, CC aumentada em 81,4% e 44,8% em homens. Dieta ocidentalizada presente em 61% e sedentarismo em 54,5%. Encontravam-se em atividade inflamatória 72,7%, com calprotectina >500 mcg/g em 19,5% e PCR >10 mg/L em 13%. Não houve associação significativa entre IMC e atividade da doença (p>0,05). Conclusão: A dissociação entre sintomas, marcadores laboratoriais e atividade inflamatória reforça a complexidade do manejo com esses pacientes. Intervenções personalizadas em MEV, integrando nutrição, movimento e saúde mental, são fundamentais para reduzir risco cardiometabólico, aumentar eficácia das terapias farmacológicas e otimizar resposta terapêutica. A adaptação das orientações ao contexto socioeconômico-cultural é necessária ao autogerenciamento adjuvante da doença e à manutenção da MEV a longo prazo.
Referências
BISCHOFF, A. S. et al. ESPEN guideline on Clinical Nutrition in inflammatory bowel disease. Clinical Nutrition Journal, 2023. 2. Bernstein, C. N. et al. World Gastroenterology Organisation Global Guidelines Inflammatory Bowel Disease: Update August 2015. Journal of clinical gastroenterology, 2016.
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