Quem prescreve se move? Inatividade física, comportamento sedentário e aptidão funcional em médicos docentes e preceptores
DOI:
https://doi.org/10.61661/congresso.cbmev.9.2026.252Palavras-chave:
Comportamento Sedentário, Exercício Físico, Desempenho Físico Funcional, Docentes de MedicinaResumo
Introdução: A inatividade física e o comportamento sedentário são frequentes entre médicos, profissionais de referência em saúde. O estilo de vida do médico associa-se ao aconselhamento que oferece, mas esse perfil é pouco conhecido entre docentes e preceptores, formadores de novos médicos. Objetivos: Avaliar o nível de atividade física, o comportamento sedentário e o desempenho funcional de médicos docentes e preceptores de uma faculdade de medicina do Norte Fluminense. Metodologia: Estudo transversal (08/2025 a 07/2026) com 115 dos 164 médicos elegíveis (70,1%), que responderam ao IPAQ versão longa (CELAFISCS e critério da OMS) e ao SF-36 e realizaram o teste de sentar e levantar de 30 segundos (30sCST), classificado por percentis normativos chilenos. Comportamento sedentário: mais de 5 h sentado em dia útil. Utilizamos Mann-Whitney, Spearman, teste binomial e regressão logística ajustada (α = 0,05). Aprovado pelo Comitê de Ética.
RESULTADOS: Embora 68,7% atingissem a recomendação da OMS, apenas 45,6% eram ativos pela classificação CELAFISCS, e 63,2% permaneciam mais de 5 h sentados em dia útil, inclusive 56,9% dos ativos. A carga horária associou-se ao tempo sentado (p = 0,034), mas não à inatividade (p = 0,80). No 30sCST (n = 112), 58,0% ficaram abaixo do percentil 25 normativo (esperado: 25%; p < 0,001), chegando a 76,9% nos médicos de até 35 anos. O desempenho correlacionou-se com a capacidade funcional do SF-36 (ρ = 0,52), a atividade física (ρ = 0,38) e o IMC (ρ = −0,40), todos com p < 0,001. Hipertensão arterial associou-se à inatividade (OR ajustado 5,42; IC95% 1,67–17,65). Todos reconheceram a importância da atividade física, e 87,8% orientavam pacientes sempre ou frequentemente, dos quais 51,0% eram inativos. Conclusões: Atividade física e comportamento sedentário mostraram-se construtos distintos. O baixo desempenho funcional foi prevalente, sobretudo entre os mais jovens. Metade dos que orientavam pacientes era inativa, discrepância entre aconselhamento e comportamento pessoal que merece investigação longitudinal.
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