Perfil de usuários de aplicativos de saúde mental no Brasil: uma revisão de literatura
DOI:
https://doi.org/10.61661/congresso.cbmev.9.2026.269Palavras-chave:
Aplicativo de Saúde, Perfil usuarios, BrasilResumo
Introdução: A saúde mental digital no Brasil expandiu-se significativamente através de aplicativos móveis (mHealth), despontando como estratégia para democratizar o suporte terapêutico. Contudo, a eficácia dessa transição esbarra em profundas desigualdades socioeconômicas e demográficas, que limitam o acesso equitativo à tecnologia de forma homogênea no território nacional. Este estudo analisa o panorama de uso dessas ferramentas sob recortes demográficos específicos. Metodologia: Realizou-se uma revisão integrativa da literatura de estudos brasileiros publicados entre 2024 e 2026, indexados nas bases SciELO e Lilacs. Adotaram-se critérios de inclusão focados em dados empíricos que correlacionassem o perfil sociodemográfico dos usuários à taxa de adesão a plataformas digitais de bem-estar psicológico. Desenvolvimento: Os resultados evidenciam marcantes disparidades no perfil de utilização. Quanto ao sexo, mulheres apresentam maior propensão à busca por suporte psicológico digital e engajamento contínuo. Na variável idade, observa-se franca concentração entre jovens e adultos jovens, enquanto a população idosa enfrenta exclusão devido à baixa literacia digital. Os fatores renda e escolaridade mostram-se determinantes críticos: indivíduos com maior poder aquisitivo e nível superior completo concentram o maior volume de downloads e uso sustentado, devido ao acesso a smartphones modernos e melhor compreensão das interfaces. Geograficamente, há uma severa assimetria regional. O ecossistema mHealth está fortemente centralizado nas regiões Sudeste e Sul, beneficiadas por melhor infraestrutura de conectividade e maior concentração de startups de saúde, em contraste crônico com os vazios digitais observados nas regiões Norte e Nordeste. Conclusão: O uso de aplicativos de saúde mental no Brasil reflete as desigualdades estruturais históricas do país. Embora as ferramentas digitais possuam alto potencial de cobertura, o perfil predominante de usuários é composto por mulheres jovens, ricas, escolarizadas e moradoras do Centro-Sul. Mitigar essas assimetrias exige políticas públicas focadas em conectividade regional e inclusão digital.
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