Conectados, mas solitários: o paradoxo da solidão em jovens brasileiros — achados do Inquérito Nacional sobre Solidão (INS-BR)
DOI:
https://doi.org/10.61661/congresso.cbmev.9.2026.272Palavras-chave:
solidão, isolamento, inquéritoResumo
Introdução: A solidão é reconhecida pela OMS como determinante crítico de saúde, associada a maior risco cardiovascular e maior mortalidade geral. No Brasil, as únicas fontes nacionais com escalas validadas de solidão cobrem os extremos da vida — adolescentes de 11 a 15 anos (PeNSE) e adultos de 50 anos ou mais (ELSI-Brasil) —, deixando um hiato de mais de três décadas da vida adulta. Objetivos: O estudo buscou estimar a prevalência nacional de solidão, caracterizar sua distribuição por faixa etária, sexo e região, e testar sua associação com indicadores de saúde mental. Metodologia: Foi conduzido um inquérito on-line de abrangência nacional, executado por pesquisadores do Brazilian Lifestyle Medicine Research Network em 25 estados, reunindo 4.070 adultos (≥18 anos). A amostragem seguiu cotas de sexo, idade e região, calibradas por raking ao Censo IBGE, com coleta via REDCap e aplicação das escalas UCLA-3 (solidão significativa: escore ≥6), LSNS-6 (redes sociais), PHQ-2 (sintomas depressivos) e PSS-4 (estresse percebido). Modelos de mediação paralela (bootstrap, 5.000 reamostragens) estimaram efeitos direto e indireto. Resultados: A prevalência nacional ponderada de solidão significativa foi 24,5% (IC95% 21,9-26,0%). Jovens de 18 a 29 anos tiveram a maior prevalência de solidão (26,3%), apesar de pontuação total da LSNS-6 equivalente às demais faixas (15,9 vs. 15,8; p=0,50). Notavelmente, nas subescalas da LSNS-6, jovens pontuaram mais alto em amigos (7,9 vs. 7,3; p<0,001) mas mais baixo em família (8,0 vs. 8,5; p<0,001) do que as demais faixas etárias. Em modelo de mediação, 86,8% do efeito da idade jovem sobre a solidão foi atribuível a sintomas depressivos e estresse percebido (efeito indireto=0,268; IC95% 0,15-0,38), com efeito direto não significativo (p=0,20) — sugerindo que a associação passa sobretudo por sofrimento psíquico, não por escassez de conexões. Conclusões: No Brasil, a solidão é desproporcionalmente mais prevalente entre jovens, associada a indicadores de saúde mental, mais do que a isolamento social efetivo.
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